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O dinheiro foi uma invenção espetacular, pois age eficientemente como instrumento de compra usado nas trocas. Mas até onde o dinheiro deve ir sem ferir o aspecto moral?
 
Conhecer as técnicas da precificação é fundamental para a perpetuação da empresa que, além de gerar lucro aos sócios, tem a função social de propiciar empregos e abastecer as cidades com produtos e serviços que permitam às pessoas viver com dignidade. Empresas desprovidas do conhecimento para formar o preço de venda com lucro prestam um desserviço ao país por desperdiçarem dinheiro, pois normalmente encerram as atividades em pouco tempo.
 
Observem que afirmo ser importante e necessário ganhar dinheiro com a prática de preços justos e certamente há circunstâncias nas quais é possível e digno exigir preços mais altos pelos serviços ou produtos.
 
Para exemplificar peço a sua permissão para transcrever um trecho do Código de Ética do Profissional Contador (Resolução CFC 803/1996):
 
Art. 6º O Profissional da Contabilidade deve fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os elementos seguintes:
I – a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar;
II – o tempo que será consumido para a realização do trabalho;
III – a possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços;
IV – o resultado lícito favorável que para o contratante advirá com o serviço prestado;
V – a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente;
VI – o local em que o serviço será prestado.
 
Chamo a atenção para os itens III, IV e V que, devido a algumas conjunturas, sugerem a prática de preço maior, com melhor margem de lucro, consequentemente. Entendo tratar-se de uma prática normal que não fere o aspecto moral.
 
Após esta introdução afirmo que tudo na vida tem limite e não é possível pensar que o dinheiro pode comprar qualquer coisa. Você considera moral, por exemplo, permitir o comércio de sangue, rim, coração etc., ou seja, compra aquele que paga mais, portanto vive mais tempo quem tem mais dinheiro?
 
Quem não tem muito dinheiro deve ficar na fila e quem pode pagar muito mais têm o direito de furar a fila? Vejam que isto já parece soar com certa normalidade, mas não deveria ser!
 
É lícita a lei da oferta e procura, que majora o preço quando um produto está escasso, mas até quanto é moral? O galão de água mineral comercializado aproximadamente a R$ 10 chega a R$ 100 quando ocorre o desabastecimento numa região em função de problemas momentâneos e climáticos. Isto é moral? Há motivos plausíveis para todo este acréscimo que se aproveita do infortúnio da população?
 
O dinheiro compra quase tudo e tem o seu valor, mas não deve ser utilizado para provocar a desgraça da humanidade. Lembre-se as coisas que mais tem valor não podem ser compradas com o dinheiro, como o amor, a família, o verdadeiro amigo, o conhecimento, o respeito, a paz e a felicidade. Isto se conquista com dignidade, moral e trabalho honesto.

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